“Rituais de pesquisa” de Joclécio Azevedo

residência artística de 11 a 15 de Maio de 2021 no espaço do antigo jardim de infância de Mosteiró

As palavras prática, investigação e ritual podem parecer à partida denominar conceitos distantes entre si, mas na realidade podem ser entendidas como modos de relação entre matérias e processos que formulam ou atravessam a subjetividade. Esta residência tem como objetivo criar um campo aberto de trabalho onde os participantes possam partilhar questões, narrativas, técnicas e memórias dos seus corpos, criando um espaço comum de pesquisa, permitindo a experimentação em torno da performance e da dança enquanto modo de relação entre corpos e não apenas de produção de conteúdos. Este espaço será habitado por metodologias divergentes, por diluição de fronteiras disciplinares e pelo questionamento de papéis e funções dentro do processo criativo.

A iniciativa integra o projecto “Modos de usar” de Joclécio Azevedo, desenvolvido no âmbito do Programa Educativo da Circular Associação Cultural.
“Modos de usar” é um projecto que questiona a relação dos artistas com os seus métodos e ferramentas de pesquisa, propondo espaços de conversação, da ativação de modos de endereçar o público e de criar ligações com o contexto local de produção.
Em 2021 o projecto integra uma colaboração com o EIXO Residências Artísticas, contando com a participação de alunas da Oficina Zero, programa anual de formação avançada, dirigido por Mafalda Deville e Israel Pimenta.

COLABORAÇÃO: EIXO Residências Artísticas, Circular Associação Cultural e Oficina Zero.

PARTICIPANTES: Catarina Corujeir, Cátia Santos, Charlotte Gergaud, Cristina Iglesias, Gracia Ferri, Lea Siebrecht, Mercedes Quijadas, Maria Mora, Naomi Weidmann, Nora Wyss, Salomé Rodrigues, Sara Santervás, Sofia Kafol, Teresa Almenar, Valea Volker, Vanessa Lonau

AGRADECIMENTOS: Sara Couto e Cidália Camarinha (Grupo Share your Green Diamond)

BIOGRAFIA

Joclécio Azevedo | Brasil, 1969. Vive no Porto desde 1990. A sua prática artística cruza diferentes interesses como coreografia, curadoria, performance e pedagogia, procurando experimentar diferentes princípios de colaboração. O seu trabalho tenta articular os diferentes papéis que a escrita pode assumir na prática artística, seja como gesto performativo, como modo de apropriação da realidade, como matéria visual ou instrumento de ativação e de registo da performance. Foi diretor artístico do Núcleo de Experimentação Coreográfica entre 2006 e 2011. Artista Residente da Circular Associação Cultural a partir de 2012 e coordenador do programa educativo da associação a partir de 2018. Participa regularmente como formador em diversos programas e instituições como o FAICC – Formação avançada em interpretação e criação coreográfica, da Companhia Instável, a Oficina ZERO ou o Balleteatro Escola Profissional. Atualmente frequenta o doutoramento em Arte Contemporânea do Colégio das Artes (Universidade de Coimbra).

A Circular constituiu-se enquanto Associação Cultural em 2006, tendo iniciado informalmente actividade em 2004. Sediada em Vila do Conde, promove anualmente, desde 2005, o Circular Festival de Artes Performativas e desde 2012, o projecto “Artista Residente”. A partir de 2018 desenvolve um novo Programa Educativo, depois de concluído o Programa de Actividades Educativas “Derivas Artísticas”, desenvolvido entre 2008 e 2017.​ ​A Circular – Associação Cultural tem como objectivos centrais da sua actividade: divulgar as artes performativas contemporâneas, aproximar as artes performativas dos públicos e do contexto local, apoiar a criação artística, e proporcionar a reflexão em torno das práticas artísticas contemporâneas.​ ​O Circular Festival de Artes Performativas propõe a apresentação e divulgação de propostas performativas de carácter experimental, numa relação próxima com os processos criativos. O Festival apresenta criações que percorrem diferentes áreas artísticas como a dança contemporânea, a performance, o teatro, a música e as artes plásticas. Procurando estabelecer um diálogo próximo da comunidade artística que se repercuta também na relação com o contexto local e os seus públicos, o Circular promove e apoia o desenvolvimento de residências artísticas locais. O Programa Educativo da Circular desenvolve actividades no âmbito educativo em contexto escolar, promove a realização de debates e sensibilização para a arte contemporânea. O projecto “Artista Residente” propõe-se explorar uma relação próxima entre a associação Circular e os seus artistas associados: Joclécio Azevedo e Filipe Caldeira. O “Artista Residente” realiza projectos de intervenção local desenvolvidos pelos artistas e apoia a difusão e a produção das suas criações.

Oficina Zero é um programa intensivo em dança contemporânea, de nove meses de duração, com foco na estruturação de um corpo forte e resiliente para uma mente criativa, e tem como objectivo ajudar a formar bailarinos / performers criativos e ambiciosos. O programa está estruturado em três grandes eixos, por um lado, o fortalecimento físico e habilidade técnica, por outro lado, o incremento e consolidação de processos criativos, e por fim, a robustez na capacidade performativa. O programa faz-se no intercalar entre meses de aulas regulares, laboratórios criativos e meses de workshops intensivos. O programa é versátil e ajustado, ao longo do ano, de forma a ir ao encontro das necessidades do grupo na procura de resultados mais efectivos. Durante o ano são convidados 3 artistas a criarem uma obra original especificamente para os alunos da Oficina Zero.​ ​A Oficina Zero dirige-se a todos os bailarinos e performers que estejam em início de carreira e que pretendam de forma intensiva e imersiva potenciar as suas qualidades na área da dança contemporânea.​

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“Rituais de pesquisa” – apresentação informal

15 Maio de 2021 às 15h00, no espaço do antigo jardim de infância de Mosteiró (Rua Central, 1010, Mosteiró / Vila do Conde)

todas as imagens são da autoria de Margarida Ribeiro

Acesso gratuito. O pedido de reserva (máximo 2 por pessoa) deverá ser feito por e-mail para eixoresidencias@gmail.com com a indicação do número de lugares/bilhetes e nome e contacto, até 24h antes da sessão.